Clipping
A Guia de Xangai
Folha de S.Paulo
June 29th, 2014
Era proibido, mas , em 25 de abril de 1974, eu celebrava, em Xangai, a Revolução dos Cravos, que eclodia em Portugal. Agregada pelo diplomata Azeredo da Silveira, futuro chanceler e colecionador entusiasta de meu trabalho, estava em viagem oficiosa de representação do Brasil à China, ainda liderada por Mao Tse-tung e Chou Em-lai, que visitamos em Pequim. Eu realizava o sonho de buscar as fontes da gravura na xilografia milenar chinesa, a “arte chim da xilo”, conforme o poema que Haroldo de Campos me dedicou.
Eu tinha recusado uma sala especial na Bienal de São Paulo de 73 e optara por exibir o curta “Detritos”, que fizera com Thomas Farkas, em mais um protesto contra a ditadura, à qual me opus desde o início. Ao receber o prêmio de melhor gravador nacional, aproveitei a presença do marechal Castelo Branco para lhe entregar um documento que pedia a revogação da prisão preventiva dos professores Mário Schenberg e Fernando Henrique Cardoso, entre outros.
Entramos na China a pé, a partir de Hong Kong, como hóspedes espartanos do país. Nosso grupo era bastante heterogêneo: médicos, funcionários graduados, Baby Cerquinho (primeira mulher de Caio Prado Júnior) e vários empresários. Em Xangai, ian Schultz (do Banco Francês e Brasileiro) lembrou-me de que estávamos hospedados no hotel que tinha sido cenário de “A Dama de Xangai”, de Orson Welles, com Rita Hayworth. viajamos de ônibus, trem e avião por todo o espaço permitido. Das paragens surpreendentes nasceram alguns de meus trabalhos: da Grande Muralha, a xilografia “Muro Muralha Passo”; do encontro com uma enorme pedra de jade, esculpida por quatro gerações, surgiu “Pedra Robat”; na mesma noite em que visitamos Hangzhou (cidade às margens de um lago a cerca de 180 km de Xangai), comecei os desenhos da litografia “Hangzhou”, que viria a ser um grande sucesso entre colecionadores. Eu não parava de desenhar. Apesar do encantamento, algo não estava dando certo. Eu ali me encontrava para ver a xilografia milenar da China e descobrir como e onde era praticada. Quais os artistas, quais os temas? Silêncio. Os roteiros impostos não respondiam. Certamente existiriam vozes e linguagens além do ateliê socializado dos especialistas em pássaros, árvores, arados, punhos cerrados etc. Não podia ser só aquilo.
Debaixo do sol do meio-dia, sentei no túmulo de um poeta famoso no cemitério de Xangai e anunciei que entrara em greve de fome. Não me moveria de lá até que pudesse conhecer artistas originais que praticassem a linguagem da tradição de origem chinesa livremente, como eu. Grande rebuliço. Sem entender, os companheiros de viagem se foram para mais uma cerimônia do chá e passeios.
Anoitecia. Eis que surge uma guia uniformizada e, em português (brasileiro) mais do que perfeito, se apresenta como alguém que entendia as minhas solicitações, prometendo que tudo faria para me ajudar. Não lembro seu nome, mas apenas o número bordado na gola em fios de prata: 42. Tinha um aspecto confiável, talvez a minha idade. Escoltou-me para o hotel, de bicicleta, conversando fluentemente. Até cantou canções do recente Carnaval brasileiro.
Prometeu voltar no dia seguinte. Reapareceu cedo, informando que naquela tarde eu teria um encontro “privado” com dois artistas gravadores “autores”, jovens mestres “independentes”, os “únicos do país”. Exultei com o resultado do meu protesto. Reconhecida, comecei a falar pelos cotovelos sobre o Brasil: estávamos numa ditadura ferrada, pessoas presas, torturadas, mortas, exiladas e perseguidas, sobretudo artistas e intelectuais. Ela tinha provado ser uma amiga, eu podia me abrir.
Enquanto falava, 42 começou a brincar com as roupas de minha mala. Disse-lhe para pegar o que quisesse. Foi discreta, mas levou o quanto pôde ocultar nos bolsos.
Fui conduzida por ela a um local distante, onde me foram revelados Wu Biduan e Gu Yuan (1919-1996) — que se tornaram grandes mestres da xilogravura chinesa—, e aconteceram perguntas e respostas profissionais da mais alta qualidade. Daí resultou minha série “Como se Fossem Palavras”, cinco imagens xilográficas de ideogramas aleatórios. Agradecida, me despedi de 42 prometendo lhe enviar discos de Chico e Bethânia.
De volta ao Brasil, fui convidada a proferir uma palestra sobre a arte da China contemporânea no MAM de São Paulo, então sob direção de Diná Lopes Coelho. Como é notório, na ocasião fui aprisionada, encapuzada e amarrada sob mira de revólver e atirada em um carro que percorreu a cidade por horas. Fui parar no quartel da rua Tutoia para os interrogatórios.
No meio da noite, um carcereiro armado me lançou uma pasta: “Tome e leia. Você vai pegar 30 anos de cadeia”. Em pânico, abri o documento e pude ler, quase em transcrição literal, todas as confidências que fizera à guia 42 no hotel em Xangai, sublinhando, naturalmente, os detalhes da minha versão da situação política e militar do nosso país desde 1964: 42 sempre soube o que queria.
Maria Bonomi: le passage par l'image
La Quinzaine Litteraire
July 16th, 2012
Georges Raillard - Maria Bonomi est sculpteur. Née milanaise, elle devient brésilienne par choix. En 1967 elle obtient à Paris un prix de gravure. Depuis lors, cette artiste, très célèbre dans son pays, exposée partout, ne l’était pas à Paris . Voici à la Maison de l'Amérique latine une anthologie de ses oeuvres. Leur beauté est flagrante. Leur part de mystère ne se dissipe pas, mais s'accrît quand l'artiste elle-même les commente - ce qu'elle fit ici. Ou quand deux des plus grands, des plus audacieux écrivains brésiliens, Clarice Lispector et Haroldo de Campos (né en 1935), s'associent à Maria Bonomi.

Exposition
Maria Bonomi
Maison de l'Amérique latine
217, bd Saint-Germain, 75007 Paris
21 mai - 22 septembre 2012
(fermeture entre le 21 juillet et le 19 août)
Au catalogue bilingue des textes de Clarice Lispector et de Haroldo de Campos
Exposição revisita obra de Maria Bonomi
LENEIDE DUARTE-PLON - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE PARIS
May 31th, 2012

A primeira exposição individual de Maria Bonomi, 77, em Paris é grandiosa.

Logo na entrada do imponente Hôtel Particulier, pertencente à Maison de l'Amérique Latine -e antes residência do Dr. Charcot, considerado o pai de neurologia, que atraiu à capital francesa o jovem doutor Sigmund Freud-, uma sala pintada de vermelho expõe a mais recente obra da artista: quatro esculturas suspensas, em formato côncavo.

No chão, um globo em alumínio chamado "Super Quadrante Amor Inscrito" dialoga com as obras aéreas. O chão é coberto por pedaços de tecido vermelho, que os visitantes pisam enquanto percorrem o ambiente.

Para apresentar a célebre artista brasileira ao público francês e preencher a lacuna existente na cultura local em relação à obra de Bonomi, o curador Jorge Coli escolheu 40 obras representativas de todas as fases da artista.

Maria Bonomi, que é gravadora, escultora, pintora, muralista, figurinista e cenógrafa, tem nas gravuras sua marca registrada.

Algumas de suas obras estão espalhadas por São Paulo, como o painel "Futura Memória", de 1989, parte do acervo do Memorial da América Latina.

Com o arquiteto Oscar Niemeyer, Bonomi concebeu um projeto sobre os maus-tratos da população indígena brasileira pelos portugueses durante a colonização.

Seus trabalhos se estruturam em madeira, alumínio e concreto, com o objetivo de "impregnar o entorno, o protagonista de toda sua obra", como explica a autora.

Para a artista, a exposição na França fecha o ciclo começado ainda em 1967, quando foi contemplada com o prêmio especial de gravura na Bienal de Paris.

Bonomi é também neta de Giuseppe Martinelli, construtor do primeiro arranha-céu da América Latina, o Edifício Martinelli, datado de 1929.

Foi a própria artista quem conduziu um grupo pelas salas da exposição, inaugurada em 15 de maio pelo embaixador brasileiro José Maurício Bustani.

Admirar as obras de um artista guiado pelo próprio autor é um privilégio que não se deixa escapar.

MARCAS DO PASSADO

Ao passar por cada uma das obras, Bonomi explica a técnica e a contextualiza no tempo. "Balada do terror" foi feita para homenagear Dulce Maia, a ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária, e todos os torturados pelo regime militar (1964-85).

Essa e outras obras do mesmo período foram batizadas de "Calabouço".

Tão sombrias quanto o período histórico no qual se inspiram, as peças testemunham a época em que a artista foi presa juntamente com outros intelectuais ao assumirem uma posição contrária à censura e denunciarem as práticas de tortura.

"A exposição é importante porque Paris não conhece sua obra. São criações excepcionais que provêm de uma artista cuja qualidade de produção é reconhecida. E expor em Paris significa maior afirmação internacional para uma artista já consagrada no Brasil ", diz Coli.

"O público francês vai poder descobrir o rigor compositivo associado à leveza luminosa, as transições entre gravação, escultura e arquitetura", resume o curador.

A retrospectiva da obra de Bonomi parte do que se tornaria seu núcleo genético mais forte: a xilogravura.

Algumas matrizes em madeira, verdadeiras esculturas que a artista convida o visitante a admirar com os olhos e com o tato, estão presentes, como as esculturas em metal chamadas de "Favela", espécie de grande arcada esculpida em peças de alumínio.

Maria Bonomi gosta que as pessoas acariciem a superfície de suas matrizes. Por isso, sugeriu que fossem colocadas em algumas obras a etiqueta com a inscrição em francês "Prière de toucher" (toque, por favor).

Arte em gravuras da brasileira Maria Bonomi será exposta em Paris
http://www.estadao.com.br
may 15th, 2012

Artista plástica Maria Bonomi, um dos principais nomes da criação artística brasileira há mais de meio século, inaugura nesta terça-feira uma exposição de sua obra na Maison de l'Amerique Latine em Paris.

A exposição reúne cerca de trintas gravuras grandes além de uma figura aérea apresentada pela primeira vez ao público. De acordo com a artista, a mostra passa pela vida de Maria, desde a juventude como estudante até os dias de hoje.

Maria disse à Agência Efe que como não há espaço suficiente para mostrar todo seu trabalho, sobretudo os de grandes dimensões, utilizará vídeos. A brasileira ressaltou que faz todas suas obras a mão, tanto gravuras sobre madeira como peças gigantes de cimento, alumínio ou aço.

A artista disse que além de uma maneira antiga de trabalhar, as gravuras são "uma linguagem muito intimista". Maria ainda destacou que na Europa essas obras estão no meio de praças, mas não nos edifícios.

Algumas mostras do trabalho de Maria Bonomi podem ser vistas no metrô de São

Paulo, no Palácio do Governo desse Estado ou em instituições privadas como a fachada do edifício Jorge Rizkallah, e o Banco Exterior da Espanha em Santiago do Chile, informaram os organizadores da exibição.

Nesta incursão europeia via Paris, a brasileira disse ter a intenção de mostrar de uma forma diferente de "pensar a gravura" no velho continente.

"Tenho muita esperança de ver um público curioso, porque apresento peças bem simples, mas que propõem mudar a condição da arte de gravura", disse.

A artista, disse que não cria obras só para os olhos. "Há exceções, mas a tendência é sempre um exercício plástico, não um exercício emocional, um fenômeno do olho e não da alma".

Maria, que desde os anos 70 exerce a função artista, lembrou da época da ditadura que viveu, sem ser aceita oficialmente pelo mercado da arte de seu país. "Viemos de uma coisa muito negra", disse.

Enquanto muitos artistas fizeram carreira sustentados pela ditadura, ela preferiu trabalhar na antiga Iugoslávia, na Eslovênia e em Praga. No entanto, ela nunca deixou de viver no Brasil. "A ditadura era o momento de ficar, não de sair", comentou.

Entre suas obras, a artista destacou uma primeira colaboração com o arquiteto Óscar Niemeyer, um projeto sobre os maus-tratos da população indígena brasileira pelos portugueses durante a colonização.

A artista, que nasceu na Itália e chegou ao Brasil ainda criança, em 1946, definiu o país como o lugar de "todas as invenções". Maria Bonomi recebeu, em 1967 um prêmio na Bienal de Paris.

Maria Bonomi receives fitting restrospective
O Globo
October 12th, 2011
The eyes of Italian-Brazilian visual artist Maria Bonomi, 76, sparkle as she moves through the most important exhibition of her 60-year career as an engraver, sculptor, painter, mural ist , stage-set and costume designer, curator and professor. In the approximately 1000-square-meter area of four rooms at the Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) in Brasília, she revisits, one by one, the nearly 300 artworks featured in the exhibition Maria Bonomi em Brasília — Da gravura à arte pública [Maria Bonomi in Brasilia – From Engraving to Public Art], which opened last week and runs until January.

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Universe Maria's
Correio Braziliense
October 12th, 2011
Maria Bonomi is surprised as she walks through the three galleries of the Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) occupied by 300 of her artworks. “I couldn't have held this exhibition in just one gallery. It had to be held here. This space really thrilled me,” she says. In fact, Maria Bonomi em Brasília - Da gravura à arte pública [Maria Bonomi in Brasília – From Engraving to Public Art] is a huge exhibition. It begins with childhood drawings and continues up to an unfinished work, still under development. This retrospective involves all of the paths the artist has traced over the last seven decades and is the result of a Herculean task undertaken over the last four years by producer Lena Perez, who scoured public and private collections to gather the works.

The most exciting part of Maria's expression appears in the first gallery, reserved for the never-before-shown works. The series of sculptures focused on the female universe resolves various concerns that have intrigued the artist recently. The video Implosão de Paris Rilton [Implosion of Paris Rilton] and the sculpture Paris Rilton speak of consumerism and the banalizing of femininity. “It is the woman idiotized by consumption, a consumption that also generates loneliness.” In the interior of the sculpture – an egg-shaped form molded in bronze whose surface is covered by lines in relief – Maria placed objects such as a wig, eyeglasses and necklaces. Interactivity is essential for the realization of the work, and the public can discover the trifles by reaching into the sculpture.

The same room has dozens of engravings dating from various of the artist's phases and reflected in mirrors that allow the viewer to see all of the works at the same time. “The mirror has this thing of a feminine boudoir, the omipresent eye of the woman. I believe that the woman sees more, feels more and also suffers more,” explains Maria, who opened the doors of her house to curator Jorge Coli for him to choose the works in the show, and accepted his suggestion to include the productions from her childhood. “They are not open to any sort of artistic judgment; they are included for educational reasons, for the children.” This educational aspect is important to the artist, and she believes that there is a place for learning in all of her works. “There is always the presence of a theme that people can research and recognize, even in the abstract works. They will use their imagination based on past information.”

In the room entitled Calabouço [Dungeon], Maria takes on a more serious air. “Everything that involves war came in here,” she warns. A set of carefully selected engravings refers to the individual and collective memory, and projects to a future that concerns the artist. Engravings dedicated to friends tortured during the military dictatorship, a digital experiment concerning Tahir Square in Cairo, a commentary about nuclear tests and persecution share much in common. In Maria's hands, they became an overlaying of matrices that were never engraved. There is no carving in wood or on plates when the artist speaks of terror. “The happiness of an engraving never took place. I didn't have any wish to do that. This is important for understanding the pleasure, the joy of engraving. Here there is nothing engraved.”
Encontros com o Estadão
O Estado de S.Paulo
May 31th, 2010
Direto da Fonte SONIA RACY

"A meninada faz aeróbica artística, não é reflexão" Artista independente, Maria Bonomi avalia tendências e avalia panorama do cenário artístico nacional Talvez as raízes italianas expliquem a energia fugaz de Maria Bonomi. Ou quiçá a "verdade pessoal artística e amorosa" que ela mesma define como a razão da sua saúde. Chamada carinhosamente pelos amigos de "tsunami", passeia por assuntos leves - como ficou amiga de Clarise Lispector, por exemplo - a críticas ao cenário da arte brasileira: "Temos que fomentar a produção de qualidade e não só o comércio". Recém-chegada de viagem, a artista plástica surpreende a coluna em seu ateliê com uma entusiasmada proposta: a ocupação dos espaços de shopping centers com obras artísticas. "Seria oportuno e benéfico que esses espaços tivessem intersecção com a arte. Esse público não deveria ser tratado como vazio", explica. Conhecida como a "dama da gravura", Bonomi demonstra, pouco a pouco, os porquês dos títulos que acumula: querida pelos amigos, artista acessível, mulher independente e militante humanista. "Ligo para os colecionadores e peço para rever minhas obras. Acredito na presença do olho a olho, em amizade de ateliê", conta. A seguir, trechos da entrevista. O Brasil vem crescendo no mercado artístico. Há uma explosão de novos artistas, feiras, galerias. Como a senhora avalia esse movimento? Acredito naquilo que tem substância. Mas não no exercício das palavras difíceis, gente que se baseia em livros da editora Taschen, sabe? Acho que no Brasil há uma defasagem da percepção e um grande perigo de frivolidade da arte. Essa meninada faz aeróbica artística, não reflexão. O que é exatamente essa defasagem da percepção? Faltam propostas culturais. O importante não é incentivar o comércio, mas fomentar uma produção de qualidade. Aqui pouco se discute sobre as novas tendências dos artistas, os diferentes suportes. Só se fala de dinheiro e eu sou contra isso. É possível melhorar a sensibilidade artística do brasileiro? Sim. Acho que o ensino de artes plásticas tem que ser oficializado nas escolas. Deveria ser ensinado desde o primário e atualizado constantemente. Isso propiciaria um olhar de maior qualidade, isto é, um refinamento na percepção artística. A sra. tem uma proposta de arte pública em shoppings? Sim. Sinto algo muito frágil e perigoso em relação a esses "santuários do nada". Os shoppings são construções megalômanas, onde só se fala de produtos comerciais, sem considerar que poderiam ser implantadas obras de arte nestes locais. Por que acredite que poderiam ser espaços para essas obras? Acho que esse público não deveria ser tratado como vazio. A classe endinheirada não enxerga quanto seria oportuno e benéfico que esses espaços tivessem intersecção com a arte. A senhora foi uma das fundadoras da Bienal. Como vê a instituição atualmente? A Bienal deve ter representação dos artistas e dos críticos de arte em um conselho normativo indicado pelas entidades, sindicatos e listas tríplices. A Bienal se divorciou dessa proposta e assim não acredito que ela seja realmente representativa. O seu ateliê é aberto para receber visitantes, colecionadores. Como vê essa relação? Quem gosta de arte tem curiosidade de conhecer o artista, o espaço onde ele trabalha. Sempre senti nos painéis que eu fiz, ao longo desses anos, a presença do olho no olho. Isso, para mim, representa a volta de um certo tipo de humanismo. Eu sei para quem eu vendo e os colecionadores sabem de quem estão comprando. E nas suas obras públicas, também há essa troca? Sem dúvida. Contemporâneo para mim é isso. Tenho um painel na Avenida Paulista dos anos 70 que foi restaurado. Eu e a Prefeitura de comum acordo decidimos pintar uma parte de verde. Mas as pessoas começaram a me ligar denunciando: "Dona Maria, eu moro aqui em frente há quarenta anos e estão pintando seu mural. Isso é um absurdo" (risos). Eu achei incrível essa interação. A arte pública melhora a qualidade de vida dos cidadãos. Você afirmou que o status se dá por meio da arte. Por quê? Tivemos colecionadores que não deixaram empresas ou negócios como legado. E, sim coleções de artista que eles acompanharam. A Fundação Iberê Camargo, por exemplo, começou por causa da amizade que Jorge Gerdau cultivou com o próprio Iberê no ateliê. É difícil se desfazer das obras? Você nunca se desliga de uma obra. São como filhos. Tenho apego a algumas, mas sempre cedo e vendo. Ontem mesmo um colecionador comprou uma obra que eu não queria vender. Não podemos manter tudo. E o que acha do grafite? Acho bárbaro. É uma resposta decorativa à feiúra da cidade, aos tapumes e paredes não pensadas. Sou contra a pichação e a favor do grafite. É uma manifestação de arte pública. Nesse contexto, como fica a Lei Cidade Limpa? Não tem nada a ver. Os políticos não se preocupam com a cultura. A arte deve ser uma proposta política. Afinal, o governo passa e a obra fica. Temos exemplos, como a Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa e a Osesp. É uma responsabilidade social que obras como essas sejam realizadas.

Marilia Neustein
Estado de São Paulo – Caderno2 – pg. D2
São Paulo, 31 de maio de 2010.
The Aleph of Maria Bonomi
April 3rd, 2010
Artista plástica esteve em Porto Alegre para produzir gravura na Fundação Iberê Camargo - Olha lá. Maria Bonomi aponta para a janela do ateliê de gravura da Fundação Iberê Camargo, na zona sul de Porto Alegre. - Essa imagem é tão linda - diz, ciando o contraste das árvores vistas através da janela com as paredes brancas da sala. O pé direito é enorme, e a janela, inalcançável. É que o ateliê onde repousa a prensa fabricada na Alemanha nos anos 1960 e com a qual Iberê trabalhou é subterrâneo, e a abertura, lá no alto, está no nível na superfície. Quando adentrou na sala para participar do programa Artista Convidado, que há mais de uma década traz artistas de renome nacional e às vezes internacional para trabalhar no equipamento que foi do mestre, Maria Bonomi observou o ambiente e, já "contaminada" pelo fato de estar no Sul, o "sul mítico" de autores como Jorge Luis Borges, lembrou de O Aleph. - Desde que cheguei e durante os cinco dias que aqui trabalhei fiquei com a imagem do conto borgeano na cabeça - explica a artista. - Isso aqui tem uma atmosfera que incentiva a criação artística, a produção de conhecimento. Sinto esse ateliê como se fosse o coração do museu. "Aleph", a letra inicial do alfabeto hebraico, é o lugar, na verdade um porão de um casarão de Buenos Aires, que abarca toda a realidade do universo, conforme a imaginação fantástica de Borges. Também é o nome da gravura em metal que Maria criou no período e cuja imagem lembra a de um livro aberto a oferecer conhecimento ao espectador. A artista apresentou o trabalho no sábado passado, em palestra na Fundação Iberê, antes de se despedir da cidade. A gravura agora integra o acervo da fundação. O projeto, que este ano já havia recebido o argentino Matias Duville, reserva para este mês a visita da paulista Célia Euvaldo (entre os dias 12 e 17) e, para os seguintes, as do também paulista Jorge Menna Barreto e do carioca Marcos Chaves. Maria Bonomi nasceu na Itália, na pequena cidade de Meina, mas vive em São Paulo desde 1946, quando chegou, aos 11 anos de idade, ela e os pais, em meio ao pós-guerra. Aluna e assistente de Lívio Abramo, estudou em Nova York e se especializou na produção de gravuras. Tornou-se uma das principais gravuristas do país. - Muito mais que uma simples técnica, a gravura tem uma linguagem própria - defende. - Muitos artistas não veem isso, e a exploram como se estivessem pintando ou desenhando. Aí apresentam propostas vazias, que não passam de firulas, ruídos. Para se transmitir um conceito por meio da gravura deve-se conceber o trabalho valorizando todo seu processo de confecção. Maria prefere trabalhar com xilogravura (em madeira), pelo fato de esse processo "ser mais orgânico, sem filtros, não depender da ação de produtos químicos como a produção em metal": - Busco, sempre, algo essencialmente emocional, que não seja frio. Mas não nega outras formas de expressão. Uma das vertentes mais conhecidas de sua obra são os grandes painéis para espaços públicos - além de esculturas e de um trabalho de reflexão sobre a arte pública em geral. - De qualquer forma, foi a gravura que me levou a trilhar o caminho que trilhei até hoje - diz Daniel Feix.
O som de uma gravura
april 2010
Ignácio de Loyola Brandão percorre a casa-ateliê da artista plástica Maria Bonomi, em São Paulo, e descreve o universo de som e fúria que brota nas paredes.

Como se estivesse em um quadro de Escher, desço mas pareço subir, subo, mas estou no mesmo plano. Desço, mas prefiro ficar neste andar onde está parte do acervo de Maria Bonomi (deveria dizer reserva técnica pessoal?) e precorro desde alguns quadrinhos (pelo tamanho) que ela pintou aos 10 anos, às matrizes de gravuras de metal que ela fez para servirem como degraus na casa que divide com Lena (Maria Helena Peres de Oliveira, companheira e marchande, que a segue com olhar terno e acariciante.). Gravuras como degraus? As coisas gravadas ou pintadas vão muito além de gravuras e quadros, ela diz, enquanto sobe e desce comigo. Maria é um tsunami de criatividade, e para acompanhá-la preciso manter a velocidade do som ou da luz. A matriz destes degraus está exposta em uma caixa de travertino, como o Santíssimo dentro de um ostensório. Súbito, ao reolhar os degraus da escada, Maria exclama: "Gosto de criar para espaços não previstos."
O novo ateliê, distante do Morumbi, é organizado, e agora surgem as mãos e a racionalidade de Lena e sua figura mentirosamente frágil, verdadeiramente sensual. Enquanto andamos sinto arrepios, porque se neste canto estão as obras dos amigos, ali deparo com o Tetraz, a gravura que deu a Maria o prêmio da última Bienal de Florença, enquanto sou conduzido pelo som de gravuras metálicas que, pendendo do teto por toda a parte, batidas pela brisa que penetra pelas janelas dos três andares, produzem sons musicais. Já ouviram o som de uma gravura?
As janelas dos três andares dão para o pequeno quintal e um bambuzal espesso reflete para dentro um verde avassalador, é como se estivesse na floresta de Avatar, mas estou próximo a Avenida Brasil, São Paulo. No entanto, silêncio total.
Desta sala nada se vê senão as folhas dos bambus eretos, mantidos por cintas metálicas. Um crítico (ensaísta, historiador, pesquisador, seja lá o que for), ao visitar Maria, hoje, tem sua cronologia exposta, em todas as paredes, cantos e recantos, escadas, nichos, teto ("quero fazer gravuras para o teto", ela diz), todas as suas fases, criações, invenções, construções, fantasias, renovações técnicas, acréscimos, sua arte à rebours. Santuários? Mais do que isso. Qual é a palavra? Emoção diante de pedras litográficas que já foram matrizes para antigos rótulos de cigarros, remédios, anúncios, e amanhã serão gravuras que poderão estar em Kassel, Veneza, no MOMA, em alguma parte da Inglaterra, ao mesmo tempo que Maria me fala de Alois Senefelder, o inventor da litografia, e revela a origem destas pedras, que ela resgatou pelo interior, de fazendas onde estavam servindo de piso, chão de salas ou cozinhas.
Acompanhe Maria se puder. E se quiser, fazer o que faço agora, agende uma visita com hora marcada. O turbilhão se inventa e se reinventa, "é a libido do fazer, do se cavar", ela diz, enquanto Lena ao computador resgata a figura do Tetraz, ave vaidosa, que se sabe incomparável e se abre inteira para exibir sua magnificência, expondo-se de peito aberto ao caçador, para mostrar como é linda, e essa beleza lhe causa a morte. Ao descer, subo, do contemporâneo para o amanhã e ao subir desço para o passado, para todas as coisas que Maria fez. Ao percorrer o mesmo plano passo pelas mesas de trabalho, pelas incontáveis gavetas, pelas ferramentas de todos os tamanhos possíveis, e neste espaço há argila, madeira, ferro. Esta mesa acompanha Maria desde a primeira gravura.
Um assistente descobre um rosto em argila, retira gaze a gaze molhada, com o cuidado de um cirurgião plástico que vai descobrir pela primeira vez o rosto de uma mulher. A mulher se revela, é Paris Hilton e a escultura se chama Implosão de Paris Rilton. Serão apenas três peças. Nesta nova casa, a Maria Bonomi que se fez, se desfez, e se refez, se fará, e deixa por conta de Lena a cartografia do atelier ou estúdio ou lugar (o que interessa o nome?), sempre a mapear tudo, de gavetas a exposições, mostras, retrospectivas, ilustrações, ou troféus que são obras de arte. Espaço límpido, branco, tomado pelo verde que é o reflexo do bambuzal. Refaço sozinho o caminho, vejo e revejo as matrizes, as cores que se superpõem num trabalho infinito, delicado e sutil e descubro um leve paradoxo. Como o turbilhão inquieto e imponente, alto como o Corcovado, pode se aquietar e se deixar tomar por infinita paciência, quase imobilidade, redescobrindo, esticando ou reinventando o tempo, para compor. Porque cada gravura é sinfonia de traços, cores, sons, harmonia, allegro, ma no troppo, andante, veloz, veloz, vencendo as impossibilidades do agora. O cheio da argila molhada fica em mim.
Maria Bonomi leva sua arte peregrina aos ingleses
Flávia Guerra - O Estado de S. Paulo
May 5th, 2009

Maria Bonomi ganha hoje sua primeira exposição individual na Inglaterra. A Galeria 32, interessante espaço anexo à Embaixada Brasileira em Londres, leva ao coração do West Side londrino uma significativa mostra da artista brasileira. Apesar de ser um espaço pequeno, se comparada à retrospectiva que ocupou a Pinacoteca do Estado no ano passado, a mostra da 32 faz um recorte preciso dos tópicos mais importantes da carreira da artista, que é referência quando o assunto é esculpir o tempo nos veios da madeira. Estão lá obras que ajudaram a definir o perfil de uma trajetória calcada na investigação da memória como ferramenta de criação de uma arte preocupada em dialogar com o público, sem a necessidade de perder seu caráter particular.

Se não tem o mesmo privilégio do público brasileiro, como a de poder se deliciar com o painel Epopeia Paulista em plena Estação da Luz, o público inglês tem a vantagem de conferir obras como a inédita Transformed. Com dois metros de altura, essa xilogravura foi criada por Maria para a ocasião. "Na verdade, ela faz parte de uma coleção maior de gravuras, a Integration, que há pouco foi adquirida integralmente pela Bolsa de Valores de São Paulo", explica Maria. Confeccionada sobre papel japonês, em tons de azul e cinza, a obra dialoga com as duras linhas geométricas das grandes metrópoles.

Outros destaques são Love Layers (2008), Tetraz (2003) e Tropicália (1994). "A Tropicália está aqui da mesma maneira que estava na Pinacoteca, com as matrizes e como gravura. Há também a Sex Appeal (1985) e Epigrama (1984)", conta ela. "Não tem um caráter de exposição diplomática. As gravuras estão presas com grampinhos, o papel está exposto para ser tocado. Tudo informal. Esta mostra é apoiada na seleção da Pinacoteca em uma escala menor, mas significativa."

Não por acaso, a mostra tem apresentação de Marcelo Mattos Araújo, diretor da Pinacoteca. "O Marcelo foi muito afetuoso e a curadoria, a cargo da Maria Helena Peres Oliveira e do João Guarantani, também me deixou muito feliz. Não é uma seleção ?cabeça?. O destaque está no sensorial. É cheia de libido, de emoção, em vez da razão de uma curadoria tradicional."

Para completar, a faceta ?arte pública? de Maria é revelada em quatro vídeos assinados pelo videoartista Walter Silveira. "Não poderia deixar de abordar essa vertente. Principalmente aqui, onde esse caráter é tão interessante. A Inglaterra tem sabor especial. Foi com um professor inglês, nos anos 70, que eu aprendi muito. Fui selecionada para um curso que abordava justamente a arte revolucionária. Esse professor nos aproximou da experiência das instalações, que na época era algo muito avançado. Foi então que percebi que havia uma vertente acadêmica que queria romper com os academicismos. Esse professor me dizia: Maria, no limits!"

Romper os limites é palavra de ordem quando o assunto é a arte pública de Maria. Muito por isso, descobrir onde se escondem, e se encontram, os artistas urbanos de Londres era uma das tarefas em sua lista de afazeres. Sempre atenta ao tempo e espaço em que navega, durante a conversa com o Estado na semana passada, Maria queria saber onde era o endereço da arte urbana londrina. "Não há muita arte pública nas estações de metrô da cidade?", pergunta ela. Diante da resposta negativa, começou a ter ideias para provocar e dialogar com o cosmopolita morador da cidade. "Esta cidade tem um lado muito duro, mas percebo a vontade de romper com tudo. É nesse sentido que a gente se encontra. E há tanto o que ser explorado aqui. As pessoas poderiam contribuir com as obras, com suas próprias histórias, como fizemos na Luz."

De fato. Não seria nada mal se Londres ganhasse sua Epopeia Londrina. Memórias e camadas de história não faltam.

Arquivo Histórico celebra centenário com selo de Maria Bonomi
Regina Teles, de O Estado de S. Paulo
May 7th, 2008

Por ocasião do seu centenário, o Arquivo Histórico Municipal Washington Luís (AHMWL), lançou nesta terça-feira, 6, o seu Guia do Arquivo e Selo Comemorativo, criado pela artista plástica Maria Bonomi. O evento foi realizado na Galeria Olido e estavam presentes funcionários de vários órgãos públicos, como Centro Cultural Vergueiro, Museu Paulista/USP e Cedem da Unesp, entre outros.

O acervo da instituição mantém um vasto e importante volume documental da vida pública paulistana, que abrange o período de 1555 a 1921 de textos, fotos, plantas, projetos arquitetônicos e mapas da cidade de São Paulo.

Entre os mais antigos documentos estão os da Câmara Municipal de Santo André da Borda do Campo (1555-1558). Além dos documentos do município, dispõe de fundos particulares, como o de Severo e Villares S/A, Armando Prado, Siqueira Franco, Escritório Caio da Silva Prado. Criado pela Lei n. 1.051 de 17/10/1907, o AHMWL atualmente faz parte da Divisão Técnica do Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Além de recolher, preservar e tratar da documentação, o arquivo municipal desenvolve pesquisas a partir do acervo para sua difusão por meio de publicações, que edita desde 1934 e faz o atendimento na Praça Coronel Fernando Prestes, 152, no bairro do Bom Retiro, no edifício projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, de segunda a sábado das 9 às 17 horas.

Exhibition in the Museum Oscar Niemeyer
November 29th, 2007
O agora nos impõe infinitas possibilidades. O agora que viaja dentro de nós como um corpo para o aprendizado do existir. Assim acontece "DE VIÉS", exposição para refletir sobre o contínuo processo do fazer e refazer na arte. Maria Bonomi, 2007. 
Episodes and Itineraries
January 10th, 2007
Episodes and Itineraris apresenta seis artistas sul-americanos da Argentina, Brazil, Chile, Paraguai e Uruguai em diversos estágios de suas carreiras: mestres internacionalmente reconhecidos (Bonomi,Cardillo), gerações intermediárias (Migliorisi,Candiani) e de nova geração (Mandrile ,Garcia Huidobro). A exposição apresenta um forte corpo de trabalho de linguagem gráfica com seis instalações em parede, piso e vidros da Sherman Gallery. As instalações de artistas sul-americanos de várias gerações questionam as coincidências e antagonismos, diálogos e reflexões entre trabalhos de contextos e texturas diferentes. Apesar das diferenças artísticas (da abstração de Bonomi ao expressionismo intenso de Miglioris), todos os artistas da exposição tem preocupação de re-inventar a linguagem gráfica em resposta às novas necessidades de expressão. É o ponto alto da busca dos artistas por uma mídia capaz de re-posicionar a arte da linguagem gráfica como uma categoria da arte contemporânea Esta exibição pode ser vista como "Episódios" (uma diversidade de trabalho relacionado com identidade, gênero, preservação de ambientes vulneráveis e perspectiva de crítica política) ou, simultaneamente, como "Itinerários", uma rota que pode ser seguida através da galeria na qual o espectador achará uma perspectiva nova: longe de expressionismo ingênuo ou realismo fantástico (que ainda definem o mito do significado do perfil da arte latino-americano). Esta exibição propõe um modo totalmente diferente de olhar a identidade cultural dos artistas, através de fragmentos e contextos entrelaçados, tentando revelar a América do Sul como um territótio de diferenças inter-relacionadas.
* Curadoria de Alicia Candiani
Maria Bonomi inaugura 1.ª parte de painel
O Estadao de S.Paulo
August 23th, 2007
A artista Maria Bonomi participa hoje, às 19h30, do evento que marca a pré-inauguração de seu painel Etnias - Do Primeiro e sempre Brasil, projetado por ela para o Memorial da América Latina. Hoje será inaugurada a primeira fase de instalação de sua obra pública, feita de painéis de cerâmica, bronze e alumínio e criada para ser abrigada no corredor que interliga o Memorial ao Terminal Barra Funda. Estima-se que a obra será concluída totalmente até o fim do ano. O projeto Etnias está aprovado pelo MinC e orçado em R$ 1.731.820,00. O Banco Itaú já garantiu R$ 1 milhão, mas o restante do valor ainda precisa de patrocínio. 
Maria Bonomi in V Ecocine 2006
November 24th, 2006
On november 23 rd, at the Cinema Espaço Unibanco, it was held the V Ecocine 2006 award's cerimony, to pay a tribute to the sailor Amyr Klink.  Many artistic world celebrities were present including the actor Lima Duarte, the cinema's critic Rubens Ewald Filho. 
São Paulo’s Governor visits the Ethnicities project
September 10th, 2006
On May 11, 2006, a well-attended ceremony was held to inaugurate the fully restored Memorial da América Latina. Governor Cláudio Lembo and political and academic authorities paid tribute to the Memorial’s renovation.
Oscar Niemeyer supports Bonomi
September 10th, 2006
Oscar Niemeyer, widely considered to be one of the world’s greatest architects, has lent his support to The Ethnicities Project: of the First, Eternal Brazil. Niemeyer says he considers be vital the installation of this work by Maria Bonomi in the Memorial of Latin America.
Etnias: do Primeiro e Sempre Brasil
September 10th, 2006
Following São Paulo Epic, a 70-meter-plus panel erected in the city’s Estação da Luz, Maria Bonomi and her team have begun work on The Ethnicities Project; of the First, Eternal Brazil. A permanent public art work will be installed inside the main access to the Memorial of Latin America.
A public artwork concluded to Sculpture Thematic Park in Curitiba
September 10th, 2006
Maria Bonomi was invited by Votorantin Group to make a public artwork, titled Floresta Navegante, for José Ermírio de Moraes Filho Park, in Curitiba. The Park, whose the area ranges 68.290 square meters, presents an amazing biologic variety.
Victor Civita 2006 Educador Nota 10 Trophy cast in bronze.
September 10th, 2006
This year, recipients of the Victor Civita 2006 Educador Nota 10 Trophy have an additional reason to celebrate their achievement, for the new trophy has been designed by Maria Bonomi. The Victor Civita Foundation is the most prominent organization dedicated to education.
Benches and Triangles. Maria Bonomi will create a public work for a Park designed by Burle Marx.
September 10th, 2006
Next year, Maria Bonomi will inaugurate Benches and Triangles, yet another work of public art at Maracá Ecological Park, in the municipality of Guairá. The project includes a 10-meter-long sculpture specially designed to integrate the Scuplture Garden, an open museum dedicated to the Public Art.
Maria Bonomi receives the Order of the Ipiranga
September 10th, 2006
On September 4, the Government of the State of São Paulo, as represented by its governor Cláudio Lembo, awarded visual artist Maria Bonomi the Order of the Ipiranga. In a ceremony at the Bandeirantes Palace (the seat of state government).